Produtos da disciplina Avaliação Educacional 2009 / 1



Prof.: Robinson M. Tenório
Grupo de Avaliação
UFBA

 





Catalogo de estudo para o Proage 1

Equipe:
ELENILDES CARMO DOS SANTOS
JAMILE DA HORA BARBOSA
MEIRIJANE SANTOS SOUZA

Catalogo de estudo para o Proage 2

Equipe:
CAROLINE MOURA DE SOUZA
DANIELE DOS SANTOS QUEIROZ
SAMANTHA NUNES DE O. ALMEIDA

Cordel da Avaliação

Equipe:
ALINE SANTOS LORDELO
MARIA SANDRELI CRUZ MOURA
THAISE SILVA REJALA

Tradução do Site

Equipe:
ISABEL ALONSO RODRÍGUEZ
ANDREA ÁLVAREZ RODRÍGUEZ
CARINE REGINA SANTOS DE ARAÚJO

Novas Entrevistas sobre Avaliação

Equipe:
LUCIENE SANTOS DOS REIS
NÁIRA SANTOS ROCHA
THAÍS SILVA DOS ANJOS




Museo da Avaliação


Equipe:
JANAINA DOS SANTOS LIMA
NAYARA SANTOS SOUZA
LAINE

Jornal Edição Especial

Equipe:
GEANE CRISTINA DA SILVA
HELMA GLEICE
LUANA GUIMARÃES

Revista da Avaliação

Equipe:
ADRIANA DE ARAÚJO CARNEIRO
CAROLINA CAMPOS DA SILVA
MAIANA NERY



Bibliografia Comentada

Equipe:
CRISTIANE SANTOS PRADO
JOVELINA SILVA



Avaliação de Competências.

PERRENOUD, Philippe. Construir competências desde a escola. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

Biografia:
Philippe Perrenoud é um sociólogo suíço que é uma referência essencial para os educadores em virtude de suas idéias pioneiras sobre a profissionalização de professores e a avaliação de alunos. Perrenoud é doutor em sociologia e antropologia, professor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Genebra e diretor do Laboratório de Pesquisas sobre a Inovação na Formação e na Educação (Life), também em Genebra

Por que recomendamos? Porque é um excelente volume que trata da importância de priorizar a qualidade dos conteúdos e não a quantidade deles.

http://pt.shvoong.com/books/1633892-construir-compet%C3%AAncias-desde-escola/

 

Avaliação de Programas.

Biografia dos autores:
Jody Fitzpatrick ganhou seu doutorado da Universidade do Texas Austin. Antes de vir para a Universidade do Colorado, ela realizou avaliações em Appalachia e em Nova York sobre o estado e foi docente no Instituto Politécnico Rensselaer (RPI). Ela ganhou um prêmio do ensino universitário. Seus interesses de investigação estão em programa de avaliação, a política de educação, e políticas que afetam as mulheres, crianças e famílias. Ela realizou uma pesquisa sobre os fatores que influenciam mulheres não-tradicionais a fazer escolhas profissionais em matemática, engenharia e tecnologia instrucional. Na educação, a sua preocupação está voltada para avaliação escolar. Na avaliação, ela tem continuado a realizar avaliações durante seus anos no CU, escreveu dois livros referentes à avaliação, e serviu no conselho de administração da American Evaluation Association. Atualmente, ela está no conselho editorial do American Journal of Evaluation and New Directions in Avaliação. A quarta edição de seu livro no programa avaliação serão publicados em 2010. Em 2009, ela está em Madri, Espanha, onde está realizando pesquisas sobre o crescimento da prática da avaliação em Espanha e na Europa.

James R. Sanders é Professor Associado da Educação e do Director do Centro de Avaliação Western Michigan University. Ele recebeu seu mestrado em pesquisa educacional a partir de Bucknell University e seu doutorado em investigação pedagógica e de avaliação da Universidade de Colorado. Ele atuou como professor visitante no St. Patrick's College (em Dublin, na Irlanda), Utah State University e da Universidade de British Columbia. Ele é co-autor Avaliação Educacional: Teoria e Prática (1973), práticas e problemas no Competency-Based Medição (1979), Avaliação Educacional: abordagens alternativas e orientações práticas (1987), e Avaliação de Programas (2004). Ele é autor ou co-autor numerosos artigos, monografias e relatórios técnicos na área do programa avaliação. Dr. Sanders tem atuado como diretor dos institutos de formação em avaliação para o American Educational Research Association, a American Evaluation Association, a Associação para Supervisão e Desenvolvimento Curricular, e da Western Michigan University Evaluation Center. Ele tem servido como um membro da diretoria de Avaliação da rede e da American Evaluation Association e em comissões permanentes, para a American Educational Research Association, o Conselho Nacional de Medição em Educação, a National Science Foundation, Phi Delta Kappa, Setor Independente , bem como a United Way of America. Ele tem dirigido investigação e avaliação dos projectos financiados pelo Ministério da Defesa os E.U., E.U. Department of Education, National Science Foundation, e várias agências estatais. De 1988 a 1998, atuou como presidente da Comissão Mista de Normas de Avaliação Educacional, uma coligação de 16 organizações profissionais preocupados com a qualidade das avaliações feitas na educação.

 

WORTHEN, Blaine R. SANDERS, James R. FITZPATRICK, Jody L. O objetivo, os usos e as distinções conceituais básicos da avaliação. In: _______.  Avaliação de programas – Concepções e práticas. São Paulo: Editora Gente, 2004. Cap. 1, p. 33-58.

Por Maria Antonia Brandão de Andrade

Trata-se de uma obra que apresenta as suas contribuições sobre as metodologias e diferentes abordagens utilizadas na condução e planejamento de avaliações. A edição em português, publicada em 2004, é resultado do esforço conjunto das seguintes instituições: Instituto Fonte, Instituto Ayrton Senna, Editora Gente e Edusp. Abaixo as contribuições do primeiro capítulo.

Os desafios sociais do século XXI requerem da sociedade esforços para a solução dos problemas, cada vez mais complexos. Nesse sentido, as instituições buscam identificar métodos e programas mais eficazes para dar conta desses desafios. No âmbito público, a escassez de recursos leva as instituições buscarem alternativas para manter ou reestruturar programas já existentes, garantindo, com isso, uma política de continuidade de suas atividades. Conhecer os melhores programas e sua eficácia compete ao legislador, que deve utilizar como recurso para esse fim a avaliação de programas. Nesse aspecto, a avaliação assume um papel vital em todos os setores da vida moderna, uma vez que, dentre as diferentes concepções, traduz-se como a capacidade de julgar ou medir o mérito e valor de alguma coisa, mesmo que, para alguns, não passe de uma auditoria ou controle de qualidade. No sentido mais amplo, requer critérios para identificação da qualidade, utilidade, eficácia e importância do que está sendo avaliado, o que significa a utilização de métodos de pesquisa e julgamento para a obtenção dos resultados, que incluem desde a coleta de informações até a aplicação de padrões de mensuração dos critérios especificados (qualidade, utilidade, eficácia e importância). As práticas avaliativas já remontam os primórdios da história humana, seja no aspecto formal quanto no aspecto informal. Mesmo não sendo conduzida através de critérios sistemáticos, como ocorre com a avaliação formal, a avaliação informal apresenta a sua utilidade, podendo resultar em decisões corretas e sábias para a organização. Nesta perspectiva, o objetivo da avaliação é produzir juízo de valor do que está sendo avaliado, além do mérito, que também é uma das metas da avaliação formal. A avaliação, portanto, é utilizada para estabelecer valor, mérito ou qualidade, objetivo utilizado no campo da educação. Os objetivos definidos na avaliação educacional partem das seguintes definições de que, além do julgamento de valor, esta ajuda na tomada de decisões e tem uma função política (TALMAGE, 1982). Neste aspecto a avaliação é uma atividade científica e política, devendo abranger também as práticas do avaliador, que deve utilizá-la para melhoria de programas, nos diversos setores econômicos, seja no comércio ou na indústria, seja na prestação de serviços públicos como saúde, moradia, programa de qualificação profissional, dentre outros. Mal utilizada pode provocar danos ou produzir informações enganosas e falsas à sociedade. A utilização na melhoria de programas traduz o aspecto formativo da avaliação, cujo julgamento ou mérito do programa, através da definição de critérios, detalha o caráter somativo da avaliação. Esses dois aspectos (formativo e somativo) estão entrelaçados e se complementam, na prática, para a melhoria dos programas, seja no âmbito da avaliação interna (formativa, realizadas pela equipe do programa), seja no âmbito da avaliação externa (somativa, realizada por avaliadores externos). Considerando os aspectos formativo e somativo e sua utilização, pode-se constatar que a avaliação, além de valiosa é essencial para qualquer sistema ou sociedade eficiente, mesmo considerando as suas limitações, ou seja,  sozinha não poderá resolver todos os males da sociedade, o que requer a necessidade de ser bem planejada e executada.

As definições conceituais apresentadas no primeiro capítulo serviram de subsídios para compreender, de forma geral, os objetivos e finalidades da avaliação, sua importância e seu aproveitamento para a melhoria dos programas nos diversos setores da sociedade. Sendo considerada como instrumento de julgamento, através da utilização de critérios para mensuração de mérito e valor; ou considerada como auditoria de qualidade, levando em consideração os aspectos formativo e somativo, tanto no âmbito interno quanto externo, foi possível constatar que:

- A avaliação deve ser planejada e devem estar claros seus objetivos e finalidades de sua aplicação;
- A avaliação deve ter critérios sistemáticos em função de seus objetivos e finalidades;
- A avaliação deve contribuir para a melhoria dos critérios de gestão e tomada de decisão;
- O compromisso público e político da avaliação garantem a credibilidade do processo avaliativo;
- Os avaliadores são tão importantes quanto os critérios a serem seguidos. Sua atitude e responsabilidade contribuem para a garantia da objetividade e credibilidade, independente de sua condição (interno ou externo);
- Mesmo não sendo capaz de resolver todos os problemas sociais, a avaliação bem planejada tem contribuído para a melhoria dos programas; tem influenciado nas transformações e definições de políticas, práticas e decisões ao longo da história.

WORTHEN, Blaine R. SANDERS, James R. FITZPATRICK, Jody L. As origens da moderna avaliação de programas; Avanços e tendências recentes da avaliação. In: _______.  Avaliação de programas – Concepções e práticas. São Paulo: Editora Gente, 2004. Cap. 2, p. 58-71; cap. 3, p. 72-87.

Por Maria Antonia Brandão de Andrade

Trata-se de uma obra que apresenta as suas contribuições sobre as metodologias e diferentes abordagens utilizadas na condução e planejamento de avaliações. A edição em português, publicada em 2004, é resultado do esforço conjunto das seguintes instituições: Instituto Fonte, Instituto Ayrton Senna, Editora Gente e Edusp. Abaixo as contribuições do segundo capítulo e aspectos introdutórios do terceiro capítulo.

O capítulo trata das origens da avaliação de programas, discutindo a trajetória histórica da avaliação e seus desdobramentos sociais, políticos e metodológicos. Pode-se dizer que a avaliação formal de programas, em todos os âmbitos, seja no setor público ou privado está amadurecendo. A avaliação como disciplina viveu sua infância do final dos anos 60 e o início dos anos 70, entrando no estágio de amadurecimentos no início dos anos 80. A literatura, a exemplo de Scriven (1991b), ressalta que a avaliação formal das artes e ofícios remonta da idade da pedra. No setor público, remontam de 2000 a.C. as atividades de avaliação de desempenho dos servidores. E, na educação, Sócrates introduziu as avaliações verbais como parte do processo. A tendência da mensuração (valor) veio ser introduzida no século XVII favorecendo a observação direta, tabulações de dados empíricos, estatisticamente analisados, tornando-se, desta forma, um dos precursores da pesquisa social no século XVIII. No século XIX, insatisfações com o sistema educacional na Grã-Bretanha geraram movimentos de reformas em relação aos métodos menos formais de se avaliar as instituições, levando aos atuais sistemas de inspeções gerais da Inglaterra e Irlanda. Nos Estados Unidos, a avaliação educacional foi constituída com base nos relatórios empíricos e em testes de mensuração do desempenho estudantil, que permitiu a comparação entre as escolas. O final do século XIX foi marcado por um movimento de avaliação de credenciamento de escolas e universidades. No início do século XX, a avaliação das escolas de medicina, com o apoio da American Medical Association,  traduz o modelo de acreditação. Outras áreas também foram submetidas à avaliação nesta época: pesquisas em favelas, governo, administração e eficiência das escolas, dentre outras. Neste mesmo período começa a ganhar força o movimento que desejava provas nas escolas, fazendo emergir as provas objetivas em 1918, com aplicabilidade no setor militar, indústria privada e em todos os níveis da educação. Na década de 1920 surgem os testes de programas, criados para avaliar os níveis individuais de desempenho, o que contribuiu para que, até meados da década de 1930, mais da metade dos Estados Unidos tivesse algum teste de mensuração de desempenho. Nesse período, avaliação e mensuração eram sinônimos entre os educadores, salvo o ousado Eight Year Study (Estudo de Oito anos), que apresentou um novo modelo de avaliação, baseado em uma metodologia sofisticada e a sua ligação entre as medidas de resultados e os resultados da aprendizagem. Notável também se faz o surgimento “dos especialistas em eficiência”, visando melhores resultados nos serviços sociais e privados. Assiste-se, nesta época, ao surgimento das unidades de pesquisa social, onde os cientistas sociais passam a integrar os órgãos públicos, para a realização de pesquisa social aplicada em áreas específicas de saúde pública, moradia e trabalho, mesmo sendo atividades restritas, que tiveram pouco impacto nas relações sociais e decisões governamentais. Essa situação, no entanto, ganhou nova dimensão com os programas do presidente Roosevelt para salvar a economia americana, na época da Grande Depressão. Esses programas consistiam em supervisão dos serviços de previdência, assistência sócia, saúde, educação, dentre outros. Após a Segunda Guerra Mundial houve uma expansão da pesquisa social aplicada, em busca da alocação e melhoria dos serviços militares, estendendo - se, na década seguinte para estudos e programas de qualificação profissional, planejamento familiar e desenvolvimento comunitário. Esse foco mais abrangente fez surgir referências voltadas para a “pesquisa de avaliação”, métodos de pesquisa social aplicados para a melhoria de um programa; neste sentido, pode-se dizer que a avaliação floresceu na década de 1950 e no início da década de 1960. A promulgação da Lei Educacional de Defesa Nacional em 1958 fez um alto investimento em programas de desenvolvimento de currículo, principalmente nas áreas de matemática e ciências; para isso alguns programas de avaliação foram patrocinados para a maioria deles. Esses modelos acabaram por empobrecer a concepção conceitual e metodológica da avaliação, e, conseqüentemente, a produção inadequada de relatórios e metodologias pouco eficientes para a avaliação de programas escolares, levando os educadores a desenvolverem uma concepção muito mais ampla de avaliação, o que marcará o seu surgimento na época moderna. Atrelada a busca de sistematização, organização e melhoria dos programas governamentais, esta passa a se tornar necessária para aumentar a eficiência, a efetividade e decisões a respeito de alocação de recursos do sistema. O mesmo modelo utilizado pela Ford Motor Company – Sistema, Planejamento, Programação e Orçamento (SPPO) seria utilizado pelos programas federais encarregados da administração; mesmo que mais tarde passasse a ser usado por órgãos isolados, tornando-se pouco capaz de se tornar um sistema de avaliação de programas. Somente mais tarde (1962), passou-se a discutir um modelo de avaliação, que três anos mais tarde passou a ser chamada de avaliação sistemática. Na contemporaneidade, a avaliação de programas foi marcada pela aprovação da Lei de Ensino Fundamental e Médio de 1965, cujo objetivo era o aumento significativo dos programas de financiamento da educação. Atrelado a essa política de financiamento estava a exigência de que milhares de educadores avaliassem a sua própria atividade, fazendo nascer o campo de avaliação de programas educacionais, marcado por grandes dificuldades. Esta atividade exigia a coleta de dados empíricos e atividades de análise, para as quais não reuniam experiências e formação para fazê-las, trazendo resultados nem um pouco satisfatórios. Mesmo com os pesquisadores qualificados da área de ensino, esses resultados não mudaram muito, apesar da utilização de métodos experimentais, testes padronizados e estudos quantitativos. Novas abordagens, métodos e estratégias de avaliação vão surgir a  partir do desenvolvimento de programas de treinamento de avaliadores profissionais, que passará a constituir um dos avanços da avaliação na contemporaneidade. Neste aspecto, podem-se estabelecer os seguintes passos, necessários para o amadurecimento da avaliação: a) necessidade de especialistas qualificados em avaliação; b) desenvolvimento de um conteúdo próprio e exclusivo da avaliação; c) desenvolvimento de cursos formais para preparar avaliadores; d) oportunidades estáveis de fazer carreira; e) institucionalização da função de avaliação; f) procedimentos para licenciar avaliadores; g) criação de entidades de classe dos avaliadores; h) critérios para fazer parte das entidades de classe dos avaliadores; i) influência de entidades de classe sobre os cursos de preparação do avaliador; j) definição de padrões para a prática de avaliação.

As contribuições expostas foram importantes para se compreender a trajetória da avaliação formal de programas, constituída através de dificuldades ao longo da história, cujos avanços passaram  a se dá, de fato, na contemporaneidade. Em todos os momentos foram utilizadas, sobretudo, para a sistematização e mensuração de programas e projetos governamentais, o que traduz a necessidade e importância desse instrumento para a melhoria dos serviços sociais, eficiência e eficácia da gestão, seja no âmbito público quanto privado. Por outro lado, não se têm resultados eficazes, enquanto não se considerar o papel do avaliador no processo de elaboração, sistematização, mensuração e análise dos resultados, tarefa de que precisa de qualificação e forma adequada de se utilizar os critérios e instrumentos para o gerenciamento e execução dos procedimentos da avaliação. Neste sentido, a avaliação pode e tem condições de cumprir o seu papel social e a melhoria dos serviços educacionais.

WORTHEN, Blaine R., SANDERS, James R., FITZPATRICK, Jody L. Avaliação de Programas: concepções e práticas. São Paulo: Ed. Gente/EDUSP/Instituto Fonte/Instituto Ayrton Senna, 2004, cap.1, p.33-58.

Por Maiana Nery

A edição em português do livro Avaliação de programas: concepções e práticas, escrito por Blaine Worthen, James Sanders e Jody Fitzpatrick, é resultado do esforço conjunto do Instituto Fonte, Instituto Ayrton Senna, Editora Gente e Edusp. É destinada tanto a profissionais do campo da avaliação quanto estudantes a entender algumas das principais metodologias usadas na área, as diferentes abordagens utilizadas na condução de avaliações e o modo de planejar e conduzir uma avaliação.

Worthen, Sanders e Fitzpatrick (2004) ao contextualizar o século XXI afirmam que os desafios que a sociedade enfrentará serão enormes. Nesse contexto, quanto maior a preocupação com esses problemas generalizados aumenta-se o esforço em resolvê-los. Com o objetivo de eliminar tais problemas desconcertantes que possuem diferentes causas ocultas, órgãos de diferentes contextos sejam eles nacionais, regionais, locais ou coletivos, têm se apropriado uma demanda de programas. No entanto com a ausência de financiamentos (recursos orçamentários), identificar e eliminar problemas tem sido um desafio cada vez maior. Diante disto, os administradores de tais programas têm sido obrigados a cancelá-los total ou parcialmente. Para fazer escolhas inteligentes os autores acreditam que se faz necessário a análise da eficácia dos programas. Com tal análise é possível perceber quais os programas tem dado certos, bem como quais apresentam um maior custo-benefício. Responder a estas e outras questões que possibilitem uma tomada de decisão adequada para a (des) continuidade de programas é o principal dever da avaliação de programas. Os autores tratam de definir brevemente a avaliação e explica que entre os avaliadores não existe uma unanimidade nas concepções. Essa complexidade está relacionada com o próprio entendimento do que venha ser seu objetivo. Nessas circunstâncias, os autores enfatizam que a concepção preferida em suas abordagens baseia-se em Scriven, que define a avaliação como julgamento do valor ou mérito de alguma coisa. Para eles a avaliação usa métodos de pesquisa e julgamentos na busca pela otimização do objeto avaliado. O conceito de avaliação não é recente. É possível analisar a sua prática desde o inicio da história da humanidade. Ela está ligada à forma básica do comportamento humano. No entanto é preciso compreender que no tocante a avaliação é possível analisá-la na concepção formal ou informal. Para os autores as avaliações informais podem nos remeter a avaliações descuidadas com julgamentos defeituosos, mas também é preciso lembrar que esta forma de avaliar também pode ser muito útil. No entanto ressaltam que o foco dos estudos apresentados está na avaliação formal, mais bem estrutura, com esforços sistemáticos e informações acuradas. Para distinguir os propósitos, os usos e as atividades essenciais da avaliação Worthen, Sanders e Fitzpatrick (2004) enfatizam que não há neste viés uma unanimidade, mas pautados em Scriven, para eles o objetivo básico é produzir julgamento do valor de determinado objeto. Cabendo assim aos avaliadores profissionais providenciar mecanismos da avaliação a ser usada objetivando melhorar o programa.  Quanto ao seu uso é explicito que ele não se altera mesmo quando se muda o objeto. Conforme isso os usos da avaliação não se limitam a dar informações. Os autores relatam ainda que o mau uso das avaliações possa causar danos inestimáveis no espaço. Às vezes seu mau usso é decorrente da incapacidade de distinguir duas questões básicas: o papel formativo e somativo da avaliação. A avaliação somativa é realizada para dar informações úteis à equipe do programas para melhoria do mesmo. Já a somativa  ocorre para proporcionar aos responsáveis pela avaliação de determinado programa competências para julgar o valor ou mérito do mesmo. Segundo Worthen, Sanders e Fitzpatrick (2004), entre a avaliação formativa e a somativa é relevante distingui-la de interna e externa. Interna e externa são adjetivos que distinguem as avaliações usadas pela equipe do programa e as realizadas por gente de fora. Quanto as avaliações internas e externas existem vantagens e desvantagens, e nesta questão os autores se posicionam a favor da idéia de que os avaliadores externos tornam maior a credibilidade das avaliações, no entanto enfatizam que é preciso levar em conta a forma e  o grau de relação que os avaliadores possuem com os administradores dos programas a serem avaliados. Mesmo diante dos possíveis embates, não é coerente que se despreza o valor, a importância e a necessidade das avaliações para qual quer sistema ou sociedades eficientes. Pois para Worthen, Sanders e Fitzpatrick (2004), ao se basearem nos escritos de Scriven, é interessante falar da importância da avaliação em diferentes prismas, tanto em termos pragmáticos, como em termos éticos, intelectuais, e pessoais. O que não se pode esquecer é que a avaliação não é um super-herói, não constitui o único meio para promover a mudança, pois ela destaca os pontos fracos e fortes, no entanto depende da influência e vontade das pessoas envolvidas nesta questão para corrigir os erros e promover práticas melhores.
Afinal, diante das questões expostas por Worthen, Sanders e Fitzpatrick (2004), há uma tendência terrível e esmagadora de considerar dado objeto (principalmente nas questões que envolvem  a educação) como o salvador da pátria, a galinha dos ovos de ouro. Nesta perspectiva não se pode alimentar uma visão ingênua da realidade, principalmente no que tange os aspectos educativos. Bem sabemos que uma sociedade bem educada, critica e politizada pode refletir de forma equilibrada diante de uma sociedade que persista em manter o status quo. Mas numa realidade complexa não se pode tentar transformação por meio de um único meio. Assim também deve ser vista a avaliação formal (especialmente a de programas, que é o objeto de estudo do livro). A avaliação é de necessária importância para se rever ações, princípios e procurar mudanças, mas não pode ser interpretada erradamente. È preciso equilíbrio, bom senso e vontade socialmente correta no tratamento do tema. Não é cabível que as empresas a utilizem apenas como instrumento de autopromoção. Ela deve ser entendida e levada a sério como se destina, pois dessa forma os programas realmente importantes poderão ser contínuos e não tão fragmentados como se observa na atualidade através da mudança de vontades e visões.

FERREIRA, Rosilda Arruda. Política Educacional e poder local: Uma análise das repercussões do programa de erradicação do trabalho infantil na educação de municípios pernambucanos. Artigo publicado na Revista Brasileira da Educação da ANPED.

Por Luciene Santos dos Reis

Com o objetivo de discutir os resultados da avaliação e das repercussões do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) no Estado de Pernambuco, a autora Rosilda Arruda apresenta em seu artigo as características do programa, bem como seu processo de implementação e desenvolvimento no Estado. A avaliação do referido programa colocou em questão o principal objetivo traçado pelo mesmo de prevenir e eliminar o trabalho infantil no meio rural, através da garantia do acesso e permanência das crianças e adolescentes na escola, e as principais implicações e conquistas surgidas no processo de execução. Trazendo a perspectiva de educação a nível nacional, a autora apresenta que os municípios pernambucanos atendidos pelo PETI não apresentam distinção aos demais quando se trata da articulação do poder central principalmente no que se refere à incumbência de responsabilidades que é também do Estado, concentradas aos municípios. Como um dos inúmeros programas voltados à educação, o PETI estabeleceu articulação entre Secretaria Municipal do Trabalho, a qual cabia aos aspectos pedagógicos referentes à implementação da Jornada Ampliada, isto é o prolongamento do tempo na escola. Já à Secretaria Municipal de Educação cabiam aspectos como a formação de professores, formulação da proposta pedagógica etc. Segundo análise realizada por Rosilda, o surgimento do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, deu-se devido a um contexto cujo modelo socioeconômico sustentado pela absurda desigualdade social que favorece a concentração de renda que tem como conseqüência não somente a venda da força de trabalho infantil mais também situações de risco oferecidas por esse trabalho. Um aspecto muito significativo revelado e que muitas vezes passa despercebido nessas situações problema, é que além de causar um alto índice de analfabetismo, como o abandono e a evasão escolar, o trabalho infantil provoca ainda danos ao desenvolvimento físico e principalmente mental dessas crianças. Diante desse contexto, com relatórios e levantamentos de dados que expressam a vergonhosa situação de crianças e adolescentes no Brasil, iniciou-se o crescimento de debates e cobranças voltadas para o trabalho infantil. Segundo a autora, já no final da década de oitenta e inicio de noventa começaram a surgir respostas como o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei Orgânica de Assistência Social e vários programas como Brasil Criança Cidadã, o Centro de Assistência Integrado à Criança e o PETI.  Foi possível constatar que, apesar do objetivo de implantação do projeto em todas as áreas, nas quais era detectado o problema, apenas 125 mil crianças e adolescentes foram beneficiados em meio a uma população de 3,5 milhões de crianças com faixa etária de 5 a 14 anos. Cabendo ao município o acompanhamento do desenvolvimento do programa, notou-se em alguns a falta de articulação entre Secretarias de Trabalho e Ação e Secretaria de Educação, fato que além dos conflitos originou o problema da separação entre a escola e a Jornada Ampliada. Já em outros locais a relação foi mais articulada de modo que a Jornada Ampliada foi atrelada ao ensino regular. Para a criação de condições que favorecesse o egresso e a permanência do público alvo na escola, era oferecida uma bolsa auxílio para cada individuo que participasse efetivamente do programa. Rosilda não apresenta somente o problema da articulação entre secretarias que rondam o programa, mas também disputas entre o poder municipal,- que tenta oferecer mais vagas no programa – e o poder federal – que visa manter os gastos e atender somente os que estão em situação de risco. Por isso, a autora destaca no processo de implementação do programa o aumento da responsabilidade municipal se inserindo no complexo processo de descentralização, ou seja, a busca pela participação efetiva das comunidades em formação dos conselhos e a autonomia da escola. A busca pela autonomia municipal visando assumir o direcionamento das ações e intervenção nas diversas esferas da vida social bem como a articulação entre sociedade civil e Estado, é conseqüência da centralização e tratamento dos problemas mais incidentes nos governos locais que, por sua vez, desenvolvem políticas locais cada vez mais bem sucedidas.  O desenvolvimento do programa revelou impactos importantes para a educação dos municípios como uma alta abrangência, já que de início a meta era de atender a 13.320 crianças e adolescentes, chegando a abranger 75,000 em 1999. Outro impacto destacado pela autora, foi o desenvolvimento de pesquisas tratando do assunto, como a que foi realizada por Josué de Castro, cujo titulo era “Trabalhadores Invisíveis”, que revelou graus e níveis sob humanos do trabalho infantil em algumas regiões do Estado de Pernambuco. Um dos dados mais alarmantes revelado nessa pesquisa foi a presença de 54.000 crianças e adolescentes trabalhando nos canaviais da Zona da Mata – PE  pelo menos 44 horas semanais .
Considerando que o processo de avaliação não é coisa fácil de realizar, segundo Rosilda para avaliação na área das políticas públicas devem ser abarcados tanto os impactos quanto os processos políticos que fazem parte de sua implementação. Outros autores como Belloni et al. (2000, p.28), consideram que devem ser levados em consideração os parâmentos referenciais como: considera - lá como instrumento de ação do Estado , analisar  os conceitos e perspectivas político e filosóficas  relativas à questão objeto da política e por último analisar  a  formulação e implementação  dessa política .  Dessa forma, a autora considera importante três dimensões para a analise de políticas educacionais, cuja primeira é a relação da formulação da política e o formato dos projetos no final do processo, segundo a dimensão temporal e, por fim, as condições que favorecem ou impedem a implementação. Assim sendo, esse processo deve considerar tanto os aspectos objetivos quando os subjetivos principalmente quando se espera além da construção de indicadores. A coleta de dados para a construção de indicadores deu-se de maneira diferenciada. Os indicadores objetivos como evasão escolar e repetência tiveram os dados coletados com base na informação dos profissionais que trabalham na Jornada Ampliada, a exemplo dos educadores sociais e monitores. Já os subjetivos, com relação ao desempenho, foram coletados as informações com depoimentos e entrevistas com os próprios professores. Outro indicador trabalhado foi quanto ao aspecto pedagógico, que revelou que a avaliação da aprendizagem no ensino regular era de maneira mais tradicional enquanto na jornada ampliada era mais voltado para o desenvolvimento do aluno. A decisão de trabalhar com os profissionais envolvidos no programa não foi uma decisão neutra da autora, já que para ela a concepção de que  para a realização com êxito de qualquer projeto, a ação daqueles que estão diretamente ligados na sua execução é  fundamental e pode constituir em um momento de resistência ou de aceitação coletiva. Nessa perspectiva de estabelecimento da relação entre a Jornada Ampliada e regular, ela apresenta os resultados e os principais aspectos  referentes à aplicação do questionário com os profissionais.  Quanto à compreensão do objetivo do programa que é a erradicação do trabalho infantil, a maioria das respostas foram em torno da retirada das crianças das lavouras de cana-de-açúcar ou referiam-se a qualidade de educação. No que se referem aos aspectos socioeconômicos e permanência escolar, os monitores demonstraram mais conhecimento que os professores. Este último apresentou maior informação no critério formação para a cidadania. No que se refere à concepção da Jornada Ampliada, devido as varias divergências entre os profissionais e a falta de clareza de como deveria se dar o processo juntamente com o ensino regular, as respostas foram divididas em três categorias, cuja primeira 88% monitores e 100% dos educadores conceberam a jornada – atentando ao aspecto pedagógico – como forma de aprender brincando. A segunda remetia mais ao aspecto sócio econômicos, concebendo-a como forma de tirar a criança do trabalho da cana, na qual 43% dos monitores, 44% dos educadores de apoio compartilharam da idéia. Já a terceira, remetia ao aspecto assistencialista, ou seja, a forma como o governo tinha de ajudar as crianças, 4% dos monitores tinham essa concepção. Um dos pontos importantes dos que foram detectados com a coleta de dados é referente à contribuição do programa para a educação do município, que pode ser evidenciada positivamente com o aumento da freqüência e maior empenho dos alunos. De forma negativa, foi apresentado pelos professores o cansaço das crianças, por passarem o dia inteiro na escola, somadas às reclamações referentes à falta de material de apoio pedagógico e de local próprio para a jornada ampliada, falta de estrutura  física adequada e qualificação de profissionais. Contudo, a autora finaliza o texto – porém provoca o início de uma discussão- trazendo a análise do trabalho realizado após dois anos de implantação do PETI , com os principais problemas referentes à implementação que foi a falta de articulação entre ensino regular e a jornada ampliada, somadas a falta de preparo dos municípios em promover um projeto de grande porte. Uma das lamentáveis constatações foi que, com a implementação do programa, o aspecto pedagógico reduziu-se a Jornada Ampliada enquanto o ensino regular ainda em precárias condições não era colocado em questão, visando sua melhoria e conseqüente jornada integral.  Com a continuidade de acompanhamento do decorrer do projeto, apesar das dificuldades, percebe-se com o passar do tempo novas concepções que enfatizam a consolidação de uma concepção de escola de tempo Integral, visando a integração entre jornada regular e complementar, além da qualificação dos profissionais envolvidos.

Os referidos resultados apresentados pela professora Rosilda e também o processo que se deu no desenvolvimento do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil foi muito significativo no sentido de não somente apresentar dados tão significativos socialmente, mas também possibilitar o contato do estudante com a prática do processo de Avaliação Educacional, mais especificamente a Avaliação de Programa. Mediante a análise de um programa com a extensão do PETI, o trabalho da professora Rosilda contribuiu não somente para a percepção de características referentes ao processo de implementação do mesmo e a apresentação de seus resultados, a fim produzir um debate crítico acerca do estudado, mas, sobretudo o contato direto e compreensão de um processo complexo que é a Avaliação de Programas. Na leitura do trabalho – que apresenta linguagem clara e objetiva – além da evidência quanto às características e peculiares desse processo de avaliação, foi possível a reflexão quanto a conceitos e idéias próprias ao problema do trabalho infantil, como por exemplo, a venda da força de trabalho que, por sua vez, remete à situação sócio-econômica brasileira. Nesse contexto, surgiu a confirmação das idéias trazidas por leituras sugeridas e debates realizados em sala na disciplina de Avaliação Educacional que, entre outras questões, a avaliação de programas não é realizada num contexto de neutralidades e por isso precisa ser desenvolvida com seriedade e veracidade, a fim de promover um  levantamento de dados condizentes com a realidade para a promoção de possíveis intervenções benéficas à sociedade. Além desses critérios, o texto apresenta significância ao tratar da relação de poder existente na implementação do PETI, especialmente o processo de descentralização. Além da questão governamental foi trabalhado, ainda, aspectos como o atendimento realizado pelo programa, bem como os dados que revelam os desastrosos índices de exploração do trabalho infantil em Pernambuco. Contudo, nota-se que assim como todo processo avaliatório responsável, a avaliação de programas não é algo simples de se realizar e que sua efetivação influencia de maneira direta e indireta na vida dos sujeitos que muitas vezes são destruídas pelas mazelas instituídas pela desigualdade social do Brasil. Dessa forma, não poderia deixar de citar a reflexão quanto às dificuldades de estabelecimento do processo avaliativo de modo a não promover o distanciamento entre diagnostico da realidade fidedigna e as sugestões ou tomadas de decisões.  De maneira geral, a leitura do texto veio esclarecer alguns conceitos – no que se refere a avaliação de programas -  e discussão geradas em sala, visto a possibilidade de estabelecer ligação entre a teoria vista até o momento e a prática de maneira condizente.  Outro aspecto talvez peculiar ao texto da professora Rosilda é que em meio a uma leitura agradável, há a constante provocação de reflexão quanto a diversos problemas que abarcam toda a sociedade brasileira especialmente, os nordestinos. Fazer avaliação não é um processo simples, e fazer de maneira verdadeira acessível a vários públicos é realmente uma arte.

 

Avaliação Educacional.

DEPRESBITERIS, LÉA. A avaliação na educação básica: ampliando a discussão. Estudos em Avaliação Educacional, São Paulo, n. 24, p. 137-146, jul-dez. 2001.

Por Maria Antonia Brandão de Andrade

O artigo, que tem como autoria a pesquisadora e doutora em Educação Lea Depresbiteris, formada pela Universidade de São Paulo-USP, permite uma reflexão sobre as dimensões quantitativas e qualitativas da educação, além de possibilitar o entendimento sobre a necessidade de integração da avaliação interna e a avaliação externa, permitindo, dessa forma, uma auto-reflexão, ao mesmo tempo em que garante a transparência do processo educativo. As principais idéias do texto estão expressas abaixo:

Os sistemas nacionais de avaliação, no que compete ao sistema educacional, não foram criados no país apenas para esclarecer à sociedade as tendências da educação, mas também estimular a transparência e responsabilidades dos sistemas educativos, que contam com o envolvimento de diversos atores sociais, seja no âmbito individual, seja no âmbito governamental e coletivo. Nesse aspecto, a avaliação não é vista apenas como um mecanismo de julgamento de valor, mas como instrumento de transformação, capaz de garantir a credibilidade ou não daquilo que se está avaliando. De acordo com as experiências no setor público e privado, a avaliação pode funcionar como um fio condutor e integrador das políticas, tanto de natureza pedagógica quanto nas demais dimensões da instituição. Nesse sentido, a essência da avaliação é a qualidade da educação, mesmo que isso represente um esforço de classificação, seja no campo conceitual sobre a natureza da qualidade, seja na perspectiva de mensuração ou dimensionamento de valores que envolvem essa qualidade. Mesmo que o desempenho dos alunos já seja um reflexo do desempenho da escola, é necessário que outros indicadores sejam agregados ao indicativo de qualidade. Para tanto, faz-se necessária uma análise do processo educacional: onde, como e quando ocorre. Isso implica a valorização do contexto histórico para se definir os critérios e indicadores da avaliação. Esses indicadores são tanto numéricos (quantitativos) quanto descritivos (qualitativos), permitindo, desta forma, uma integração entre qualidade e quantidade. Isso permite, também, considerar as expectativas da população em se buscar critérios que defina qual a melhor escola e que atributos de qualidade ela reúne para que seja escolhida pelos usuários, sobretudo em função da grande expansão da rede de escolas privadas. Isto implica reconhecer que as escolas estão muito além do espaço pedagógico, mas como organizações complexas, nas quais a educação está se desenvolvendo. Para tanto, faz-se necessário relacionar o que se busca em termos de política educativa e o que acontece realmente na escola. Para isso é necessário que avaliação aconteça tanto no nível micro (avaliação do próprio estabelecimento) quanto macro (avaliação do sistema). Isto pressupõe: a) a avaliação interna (gestão educativa e projeto pedagógico) em harmonia com as diretrizes da educação; é auto-avaliação e reflexão da própria escola e; b) a avaliação externa, que permite o olhar do sistema e a transparência de suas ações, que seja capaz de considerar a qualidade além dos muros da escola. A avaliação interna e a avaliação externa permitirão o desenvolvimento de uma cultura avaliativa, capaz de proporcionar o contínuo aperfeiçoamento da prática educativa, a missão e os valores do educar, ao mesmo tempo em que presta conta à sociedade, seja aos educandos, seja aos seus familiares. Neste sentido é importante que as duas aconteçam de forma integrada. No campo da avaliação da aprendizagem, a definição dos padrões mínimos de qualidade constitui um desafio para os sistemas educacionais, uma vez que os critérios e os indicadores de avaliação estão relacionados diretamente com os resultados obtidos, a partir de um conjunto de competências, capacidades e habilidades do educando, o que permite um olhar para além da perspectiva pragmática da educação. Isso também pressupõe uma avaliação de acompanhamento do educando quando deixa a escola, seja por evasão, seja ao final de sua formação. Ambos os processos implicam avaliação formativa, capaz de subsidiar uma análise tanto do sistema educacional público quanto privado. Nesta perspectiva e nos demais processos de avaliação são necessários a definição de critérios, metodologias, estratégias e, sobretudo, a clareza dos objetivos da avaliação e os recursos humanos disponíveis. Os indicadores estão relacionados às condições de cada escola, seja com relação à qualidade do seu projeto pedagógico, seja com relação à infra-estrutura, à gestão, à capacitação dos docentes, dentre outros. De forma geral, isso pressupõe, em síntese, os três propósitos centrais que devem nortear a avaliação: fornecer resultados para a gestão da educação, subsidiar a melhoria dos projetos pedagógicos das escolas e propiciar informações para a melhoria da própria avaliação, o que se caracteriza como meta-avaliação.

O artigo permite compreender a importância da avaliação no ambiente escolar, independente de sua natureza (pública ou privada). A escola enquanto unidade complexa precisa encontrar mecanismos que assegure não apenas a gestão dos processos educativos, mas, sobretudo, a melhoria permanente dos serviços que são oferecidos à comunidade. E a avaliação permite não apenas entender o ambiente organizacional, mas, também, tornar público e transparente os seus objetivos, sua missão e seus valores. Isso pressupõe estar aberta para entender o olhar externo não apenas como regulador, mas, sobretudo, como aquele que visa contribuir com a melhoria dos processos ou legitimar a avaliação interna (a auto-avaliação). Isso traduz um desafio, uma vez que é preciso buscar sempre o equilíbrio entre a avaliação interna e a avaliação externa. Neste aspecto os resultados da avaliação interna, servirão de subsídios para a avaliação externa, garantindo, portanto, a necessidade de sua integração. No Brasil, o Sistema Nacional de Avaliação de Avaliação da Educação Superior-SINAES orienta a criação, em cada instituição, da Comissão Própria de Avaliação, além de conduzir a avaliação interna, sensibilizar a comunidade sobre a importância da avaliação, bem como oferecer subsídios para as atividades de avaliação, realizadas por avaliadores externos. É mais um passo para que se reconheça a importância da relação avaliação interna e avaliação externa para a melhoria dos processos de gestão, bem como para a melhoria da qualidade dos serviços prestados pela escola à sociedade. Por outro lado, urge a necessidade de analisar se os instrumentos estão relacionados ao momento histórico e as características individuais da escola, que envolve a sua identidade, missão e valores. Caso contrário é preciso repensá-lo, para que se atendam, de forma global, os objetivos da avaliação. Nesta perspectiva, a meta-avaliação constitui uma grande ferramenta para que os processos sejam ajustados e se garanta a eficácia do processo avaliativo. Caso contrário, estará apenas legitimando os mecanismos de regulação e deixando de atentar para os reais objetivos da avaliação.

 

AFONSO, Almerindo Janela. Avaliação educacional: regulação e emancipação. Para uma sociologia das políticas avaliativas contemporâneas. São Paulo, SP: Cortez, 2000. 151 p.

Biografia:
Almerindo Janela Afonso é Doutor em Educação, na área de conhecimento de Sociologia da Educação pela Universidade do Minho (UM), onde exerce funções docentes e de investigação desde 1985, sendo também licenciado em Sociologia pela Universidade de São Paulo, no Brasil. Atualmente é professor auxiliar no Departamento de Sociologia da Educação e Administração Educacional do Instituto de Educação e Psicologia da UM.

Um livro que procura dar visibilidade não apenas às dimensões pedagógicas, mas, sobretudo, às dimensões sociais, ideológicas e de gestão que fazem da avaliação eixo das políticas educativas contemporâneas.

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Avaliação Institucional.


LEITE, Denise. Reformas universitárias: avaliação institucional participativa. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2005.

Biografia:
Denise Balarine Cavalheiro Leite é docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS. Pesquisadora CNPq (1C). Pós-doutorada na Universidade de Coimbra (CES), Doutora em Ciências Humanas pela UFRGS. Colaboradora convidada, professora Titular aposentada de Ensino e Currículo, Faculdade de Educação, da UFRGS. Mestrado (1977) em Educação - Ensino; Estágio e curso de especialização em Metodologia do Ensino Superior no Dept. of Education University of Exeter (1984) e no Dept. of Education University of Edinburgh (1988), na Inglaterra.

Livro que aborda o tema avaliação, no campo da avaliação superior, onde a autora reforça a importância da avaliação institucional participativa em todas as instituições.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-40772007000300009&script=sci_arttext





MÜLLER, Ademir. Avaliação institucional da gestão escolar na escola pública: a democracia no processo decisório. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2001. 92 p.

Este livro traz uma concepção de que a avaliação institucional é um importante instrumento, que deve ser utilizado pelas instituições, a fim de dar a elas maior liberdade de ação e com o objetivo de melhorá-las.

http://prof.alexsantana.googlepages.com/resenha_avaliacao_institucional_da_g.swf

REIS, Dyane Brito; TENÓRIO, Robinson Moreira. Cotas e estratégias de permanência no ensino superior. In: TENÓRIO, Robinson Moreira; VIEIRA, Marcos Antonio. Avaliação e sociedade: a negociação como caminho. Salvador: EDUFBA, 2009. p. 45-66.

Por Carolina Campos

Biografia
Robinson Moreira Tenório possui graduação em Matemática pela Universidade de São Paulo (1984), mestrado em Educação pela Universidade Federal da Bahia (1989) e doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (1996). Atualmente é Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Bahia. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Avaliação da Aprendizagem, atuando principalmente nos seguintes temas: epistemologia, avaliação da aprendizagem, avaliação, ensino de ciências e computador.

Dyane Brito Reis possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (1998) e Mestrado em Ciências Sociais pelo Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA (2001). Atualmente é Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Educação da UFBA com o Projeto de Pesquisa intitulado Políticas Públicas de Acesso e Permanência da População Negra no Ensino Superior - Um debate em curso. Ainda na temática das Ações Afirmativas atuou como pesquisadora da UNESCO e MEC/SECAD. É Professora da Universidade do Estado da Bahia, lecionando as disciplinas de Sociologia e Antropologia. Tem uma considerável experiência de pesquisa no âmbito das relações raciais, restrição de direitos, discriminação, justiça criminal, suspeição policial e identidade.

Os autores iniciam a discussão que versa acerca do debate e implementação de políticas de ação afirmativa com viés racial e com foco no sistema de cotas que se estenderam por diversas Universidades Públicas Brasileiras, tanto nas Estaduais como Federais. Segundo dados obtidos pelo PPCOR, as universidades em sua grande maioria adotam a regra centrada na autodeclaração dos candidatos. No artigo examinado identificamos que o conceito de ações afirmativas trabalhado foi o elaborado pelo Ministério da Justiça (1996): “medidas especiais e temporárias, tomadas pelo Estado e/ou pela iniciativa privada, espontânea ou compulsoriamente, com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente acumuladas”. As medidas especiais abordadas no conceito buscam compensar um passado discriminatório objetivando assim a igualdade de grupos vulneráveis como as minorias étnicas e raciais. Destaca-se, também, como sendo uma das ações afirmativas no Brasil, as cotas para negros na universidade e no Serviço Público. Apesar de considerar um grande avanço a questão do acesso, os trabalhos dos autores não se detêm a essa questão e sim a outra: permanência, ao ensino de qualidade e principalmente às relações e as representações sociais. É notório que a questão da permanência dos estudantes nas universidades públicas dependerá de suas condições materiais, e esse indicador vai independer da cor da pele, mas é fato também que historicamente os negros receberam forma diferenciada de tratamento em comparação com os brancos, e isso é dado historicamente comprovado, pois pouco acesso ou nenhum os afro-descendentes tiveram a educação formal, e conseqüentemente ficaram a margem da sociedade, sem oportunidades de ascensão social, submetidos a series de estigmas, degradação material, e inverdades disseminadas, por exemplo, sobre sua incapacidade intelectual e ate mesmo sobre sua humanidade enquanto homem e mulher negra. Piovesan (2005 apud REIS; TENÓRIO, 2009): “a discriminação ocorre quando somos tratados iguais em situações diferentes e como diferentes em situações iguais”. Ao analisar essa citação podemos chegar à seguinte reflexão de que para se chegar a igualdade social é preciso desigualar os menos desfavorecidos e socialmente discriminados, de forma compensatória, através dessas políticas afirmativas, para então chegar em pé de igualdade com os que historicamente sempre foram privilegiados e que são minoria na sociedade, no caso a elite dominante. Ainda frisando a temática permanência, os estudantes têm que lidar com duas situações, que os autores classificam de permanência material, que corresponde às condições de existência e sobrevida na universidade: comer, vestir, comprar material, ter dinheiro para o transporte, mas ainda mais do que essa situação de permanência há outra mais complexa, que é a permanência simbólica: fazer parte do grupo, ser estudante universitário com todas as implicações que isso possa ter. No que tange a implementação da política de cotas na Universidade Federal da Bahia, é necessário ressaltar o contexto em que foi implementado, pois foram momentos de conflitos marcados por discussões, invasões na reitoria, e até mesmo confrontos entre estudantes e policiais. Apesar de ser de conhecimento que essa é uma conquista e resultado de uma luta dos movimentos sociais negros, sua implementação realmente ocorreu num contexto conturbado na UFBA.

No texto é criticada a postura da universidade no que diz respeito à qualidade de ensino ser afetada em virtude da mudança de critério de seleção, ou seja, atribui a responsabilidade ao aluno que se não entra preparado para as demandas e exigências da universidade, estes podem vir a afetar a qualidade de ensino da mesma, sendo que a universidade é que precisa está mais bem preparada para receber esse aluno egresso da escola pública, cujo ensino infelizmente ainda encontra-se deficitário, e outros aspectos já antes citados, que acabam por expulsarem esses novos estudantes oriundos da rede pública de ensino, desprovidos de bens materiais para manutenção do curso, e se vendo muitas vezes em situação de ter que trancar o curso para poder trabalhar. A universidade poderá tomar duas posturas diante dessas situações: uma é de manter-se neutra e mera expectadora gente as desigualdades sociais, e outra é de posicionar-se criticamente em prol da efetiva concretização de igualdade de condições e oportunidades, pelas políticas institucionais de permanência. Há quatro eixos que compõe o Programa de ações Afirmativas na UFBA, ações voltadas para a preparação dos candidatos ao concurso vestibular, ações voltadas especificamente para a realização do concurso vestibular, ações voltadas para o favorecimento da permanência dos aprovados e finalmente ações voltadas para o acompanhamento e avaliação das políticas adotadas. Diante desse contexto atual, vale ressaltar as estratégias informais de permanência no ensino superior existentes, que são os apoios vindos da família do estudante, pois em muitos casos os familiares se unem para ajudar nos custeios de sua manutenção. É necessário empreender o consenso de que a reserva de vagas não deve ser entendido como oportunidade e sim como reparação a um passado histórico de exclusão e discriminação de alguns grupos sociais. Um dos principais questionamentos dos estudantes é quanto ao pequeno numero de beneficiados com as políticas institucionais, alimentação e transporte, esses no âmbito material. Considerando todos os aspectos até agora aqui abordados, conclui-se que esses aspectos referentes ao acesso e principalmente a permanência dos alunos, são objetos de reflexão constante de toda comunidade acadêmica, e deverá sempre ser discutida através de outras propostas no que diz respeito, por exemplo, no investimento não somente material, mas intelectual também, incentivando estes estudantes a investirem e se engajarem na pesquisa galgando assim uma pós-graduação, atingindo dessa maneira a efetiva mudança social. Uma formação que dê espaço para uma verdadeira atuação dos estudantes negros e não negros numa sociedade onde as diferenças sejam respeitadas e que alcancemos a verdadeira igualdade de oportunidades de acesso a todos os setores da sociedade, sem discriminação de qualquer natureza.




           


 


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